eu sinto um vazio que não é rimado
que talvez eu nem sinta, na verdade.
posso mentir pra passar o tempo,
convencionar o segundo em palavra
sem nenhum motivo aparente.
sei lá, é preciso que alguma coisa aconteça.
meu niilismo caiu por terra quando
percebi que a negação é uma afirmação velada,
que pressupõe uma fundamentação qualquer.
nada extraordinário, mas pensando bem...
preciso acreditar em algo antes que eu morra
e alguém pense em maquiar meu corpo gelado,
pra expôr n'um trágico salão n'um dia quente de janeiro.
aceito a extrema-unção por consideração
aos meus familiares. mas, que o padre não me chame
de meu filho. nunca tivemos essa intimidade.
embaralho palavras sem nenhuma ordem
ou intenção. insone, almejo a brevidade.