quinta-feira, 19 de novembro de 2009

5 minutos antes de dormir

eu sinto um vazio que não é rimado
que talvez eu nem sinta, na verdade.
posso mentir pra passar o tempo,
convencionar o segundo em palavra
sem nenhum motivo aparente.
sei lá, é preciso que alguma coisa aconteça.

meu niilismo caiu por terra quando

percebi que a negação é uma afirmação velada,
que pressupõe uma fundamentação qualquer.
nada extraordinário, mas pensando bem...

preciso acreditar em algo antes que eu morra
e alguém pense em maquiar meu corpo gelado,
pra expôr n'um trágico salão n'um dia quente de janeiro.
aceito a extrema-unção por consideração
aos meus familiares.
 mas, que o padre não me chame
de
meu filho. nunca tivemos essa intimidade.

embaralho palavras sem nenhuma ordem
ou intenção. insone, almejo a brevidade.

parece meio ridículo e irrelevante, mas

no funeral do comediante
todo mundo chorou.